A violência contra a mulher continua sendo uma das faces mais repugnantes da sociedade brasileira. Não há eufemismo possível: homens que agridem mulheres são covardes. Canalhas que, incapazes de lidar com frustrações, recorrem à força para subjugar quem deveria ser respeitada.
Em Marília, os números são alarmantes. A cidade aparece com frequência em rankings de feminicídio e agressões, um retrato cruel de uma realidade que insiste em se repetir. Não é apenas uma estatística — são vidas interrompidas, histórias destruídas, famílias devastadas.
É impossível não se revoltar.
O agressor, muitas vezes, não é um desconhecido. Está dentro de casa. Divide a mesa, a rotina, a intimidade. Age como um verdadeiro parasita emocional — um sanguessuga que suga a dignidade, a autoestima e, em casos extremos, a própria vida da vítima.
E o mais revoltante: quantos desses crimes poderiam ser evitados?
A sociedade falha quando fecha os olhos. Falha quando minimiza sinais. Falha quando abandona a mulher à própria sorte — ou ao azar de cruzar o caminho de um agressor. Denúncias existem, históricos são registrados, mas a proteção nem sempre chega a tempo.
É verdade que avanços foram conquistados. A Lei Maria da Penha, sancionada durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, representa um marco no combate à violência doméstica. É uma ferramenta essencial. Mas, por si só, não basta.
A sensação que fica é de impunidade branda diante de crimes graves. Muitos defendem — e com razão — que as penas deveriam ser mais severas. Porque quem agride mulher não comete um “erro”: comete um crime brutal, consciente, covarde.
E há um ponto que precisa ser dito, ainda que incomode: não se pode normalizar discursos ou posturas que relativizem esse tipo de violência. A escolha de representantes e o posicionamento diante dessas questões importam — e muito.
A luta contra a violência doméstica não é apenas das mulheres. É de toda a sociedade.
Enquanto houver silêncio, haverá agressor confortável.
Enquanto houver omissão, haverá vítima em risco.
Chegou a hora de romper esse ciclo.
Sem tolerância. Sem relativização. Sem desculpas.
Porque nenhuma mulher merece viver com medo.
E nenhum agressor merece complacência.


